EPIDEMIA SECRETA - Todos Contra a Pedofili@
- fabianaamorim
- há 7 dias
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“Existe uma epidemia que, em segredo, destrói a saúde e aniquila a vida de muitos. Essa epidemia já se alastrou e atingiu quase todas as casas. Atingiu a minha e, provavelmente, a sua também. Muitas pessoas não sabem, porque é um segredo. Muitas pessoas sabem e fingem não saber… Pouquíssimas pessoas sabem e rompem o silêncio” (GONTIJO, Pedro. Epidemia secreta. Uberlândia: Assis Editora, 2019).
Desde abril de 2008, tenho viajado por diversas regiões do Brasil e até mesmo para outros países, levando informação para prevenir e combater os crimes de abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes. Essa missão tem ocupado uma parte significativa da minha vida. Apesar dos sacrifícios exigidos, nunca foi algo que eu pudesse simplesmente optar por não fazer; é uma incumbência da qual jamais poderia fugir.
Seja em Rio Branco-AC, Boa Vista-RR, Itacajá-TO, Bagé-RS ou em qualquer cidade de Minas Gerais, já estive presente em faculdades, escolas, empresas, centros comunitários, câmaras de vereadores, prefeituras, fóruns, seminários, congressos, cursos, eventos esportivos, shows artísticos, programas de rádio e televisão. Já falei em grandes auditórios, com milhares de pessoas, e também em aldeias indígenas, sentado sob uma árvore, ou embaixo de uma lona de circo. Já me dirigi a doutores e a pessoas simples; a idosos, jovens e crianças; a católicos, evangélicos, espíritas, umbandistas, agnósticos e ateus.
Ao longo desses anos, encontrei pessoas extremamente dedicadas e conscientes, desde as mais anônimas até as mais graduadas e famosas. Ouvi histórias, desabafos, choros e lutas. Infelizmente, também presenciei descaso e ignorância. Conheci movimentos e iniciativas locais e regionais, todos com o mesmo objetivo: sensibilizar as pessoas para que amem, respeitem e protejam as crianças e adolescentes, especialmente contra a violência sexual.
Durante essa jornada, tomei conhecimento dos mais diversos tipos de violência sexual contra crianças e adolescentes: abandono, tortura, estupro, incesto, prostituição, abuso sexual contra bebês, pais e mães criminosos, indiferença, traumas, morte… Essa carga negativa, embora entristeça, também gera indignação, transformando-se em força para prosseguir com o movimento “Todos contra a Pedofilia”. Entendo que ninguém, especialmente quem conheceu de perto o horror desses crimes, tem o direito de se omitir. É uma impossibilidade ética. Todos temos um dever legal, moral e espiritual de proteger as crianças.
Mas também há motivos para esperança. Em todas as viagens, percebo a indignação das pessoas contra esses crimes. A sede de justiça é imensurável. O aumento das notícias sobre esses delitos reflete não necessariamente um crescimento dos casos, mas sim a coragem crescente das vítimas e testemunhas em denunciar e não mais aceitar esses abusos. Campanhas, frentes parlamentares, CPIs, movimentos, ONGs – são muitas as iniciativas, todas igualmente importantes.
O abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes são problemas graves e recorrentes em nossa sociedade. Todos os dias, incontáveis crimes de estupro infantil, pornografia infantil, prostituição infantojuvenil e assédio virtual acontecem. As estatísticas, embora inexatas, revelam um número alarmante de vítimas. Os criminosos são perversos, covardes e cínicos. A omissão e a negligência ainda são amplas e profundamente arraigadas na nossa cultura, que precisa mudar.
Embora a Constituição Federal (Art. 227) determine a proteção absoluta dos direitos das crianças e adolescentes, muitas autoridades ainda tratam o tema como um ato de caridade, quando, na verdade, é um dever legal, moral, ético e cívico de todos nós.
Estima-se que apenas 10% dos casos de abuso e exploração sexual sejam denunciados, mas isso está mudando. Entre 2011 e 2017, o Brasil teve um aumento de 83% nas notificações gerais de violência sexual contra crianças e adolescentes. Os dados são alarmantes, mas demonstram também avanços na conscientização e na luta contra esses crimes.
A Polícia Federal tem intensificado suas operações contra a pornografia infantojuvenil, desde a “Operação Turko” (2009) até a “Luz da Infância” e suas edições subsequentes. A SaferNet Brasil, desde 2005, tem atuado no combate ao uso da internet para práticas criminosas contra crianças, recebendo mais de 4 milhões de denúncias, majoritariamente relacionadas à pornografia infantil.
Diante desse cenário, fica claro que o abuso e a exploração sexual infantojuvenil comprometem o futuro do país. Quando vemos notícias de crianças estupradas, exploradas ou expostas na internet, nós somos responsáveis. Nossa omissão contribui para que esses crimes continuem.
Cada vez que nos manifestamos – seja com “Todos Contra a Pedofilia”, “Proteja Nossas Crianças” ou “Faça Bonito” –, criamos uma esfera de proteção ao nosso redor, deixando claro aos criminosos que essas crianças não estão sozinhas. Estamos praticando a proteção e a prevenção.
Todos os dias devem ser dedicados à defesa das crianças e adolescentes. Precisamos mostrar às autoridades e à sociedade que o Brasil quer que sua infância seja protegida, respeitada e valorizada. O trabalho dos promotores de Justiça e de cada cidadão indignado é essencial para salvar vidas.
Todos contra a pedofilia!
Casé Fortes (Carlos José e Silva Fortes)Promotor de Justiça

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